Semeando Esperança


11/08/2013 – Pouco a oferecer
11/08/2013, 10:52 am
Filed under: Semanal

A Bíblia nos relata nos quatro evangelhos (Mateus 14 / Marcos 6 / Lucas 9 / João 6) uma das histórias mais famosas do cristianismo: a multiplicação dos pães. Uma grande multidão no deserto para ouvir a pregação de Jesus, cinco mil homens (sem contar mulheres e crianças). Os discípulos preocupados em como alimentar a multidão – o que fazer, como fazer, como pagar. Após constatar que nem com o salário de 200 dias era possível alimentar todos, os discípulos sugerem a Jesus que mande a multidão embora para suas casas, fazendo com que cada um compre seu próprio alimento.

Jesus diz em Mateus 14:16: “Eles não precisam ir. Deem-lhes vocês algo para comer”.

André diz em João 6:9: “Aqui está um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente?”

Jesus diz em Mateus 14:18: “Tragam-nos aqui para mim.”

Jesus fez todos se assentarem na grama, orou, agradeceu e dividiu o pão entre os discípulos e eles foram dividindo para o povo. Além de alimentar a todos, ainda sobraram 12 cestos que foram recolhidos.

Esta passagem me chama atenção por vários motivos: a demonstração do poder de Deus, o cuidado de Jesus pelo povo, a disposição do garoto em dar tudo para Cristo, a preocupação em não desperdiçar alimento, entre outras. Mas há dois pontos menos discutidos desta passagem que quero abordar hoje: 1) Façam vocês e 2) O que vocês têm.

1) Façam vocês

Jesus poderia ter feito aparecer um pão na mão de cada um apenas com uma palavra; da mesma forma, poderia ter feito também que nenhum deles sentisse fome através de uma oração; talvez, ele poderia também trasladar cada um deles direto para suas casas em um piscar de olhos; quem sabe, ordenar um anjo que levasse cada um para seus lares; quem sabe, fazer descer mais uma vez maná dos céus. As formas de Jesus “resolver” o problema apresentado pelos discípulos eram infinitas; ser Todo-poderoso tem esta vantagem. Mas a forma que Jesus age é completamente diferente – Ele diz para os discípulos agirem.

As ações deles foram: primeiro, procurar comida entre o povo e acharam cinco pães e dois peixes; depois, pegar o pão abençoado e dado por Jesus e distribuir para o povo; por último, recolher os pães que sobraram. O interessante é ver que todas as ações seguiram a regra de Romanos 11:36 (por Ele, para Ele e vindo dEle), baseadas em ordens e na vontade de Jesus. Um dos maiores dilemas dos cristãos que vejo é o receio de fazer algo que não está alinhada com a vontade de Deus. Eu creio que Deus possui algo específico para cada um e que muitas vezes (quase sempre) os planos não estão claramente revelados, por isso há esse medo. Mas quando isso ocorrer, temos que lembrar que em 1 Tessalonicenses 5:11-22, temos as diretrizes básicas da vontade de Deus para todos nós – se a sua ação seguir e se encaixar nestes pontos, você está debaixo da vontade dEle:

– Exortem-se e edifiquem-se uns aos outros;

– Tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham;

– Vivam em paz uns com os outros;

– Advirtam os ociosos, confortem os desanimados, auxiliem os fracos, sejam pacientes para com todos;

– Tenham cuidado para que ninguém retribua o mal com o mal, mas sejam sempre bondosos uns para com os outros e para com todos;

– Alegrem-se sempre.

– Orem continuamente.

– Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus.

– Não apaguem o Espírito.

– Não tratem com desprezo as profecias,

– Ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom.

– Afastem-se de toda forma de mal

Se você está parado enquanto espera tudo ficar claro para agir, tenho que dizer que nem sempre esta é a postura a ser adotada. Quanto mais crescemos (seja na fé ou em tempo de vida), mais as nossa ações e decisões são feitas sem a completa clareza desejada. Quando crianças, as escolhas são feitas (ou sempre confirmadas) pelos nossos pais, mas quando crescemos, começamos a ser responsáveis pelas decisões, pelos passos e consequências. Da mesma forma, Deus anseia isso em nós – que O conheçamos a tal ponto em que tenhamos a convicção de que, mesmo sem ver claramente, as nossas ações irão respeitá-Lo e cumprir o que Ele deseja, sem precisar esperar uma confirmação literal de tudo que temos que fazer. Hoje mesmo Ele nos diz: “Façam vocês”

2) O que vocês tem

Quando os discípulos chegaram apresentando a Jesus a situação do povo, Ele questionou: “Quantos pães vocês tem?” (Marcos 6:38). Muitas vezes quando apresentamos uma situação difícil para Deus, esperamos que dEle virá o recurso e a resposta. Que é necessário que algo diferente seja adicionado ou que algo em nós seja melhorado. Mas a história da multiplicação dos pães revela que Jesus usou quem eles já eram e o que eles já tinham. Deus não precisa esperar algo novo chegar; Ele trabalha e age usando aquilo que já temos, usando quem já somos.

Quando Eliseu chegou na casa da viúva que iria perder os filhos, ele pergunta: “O que você tem em casa?” (II Reis 4:2) Não foi com pedras preciosas ou riquezas de reinos, mas sim com a vasilha de azeite que a viúva já tinha que ela pode pagar suas dívidas e ter o sustento para sua família.

Quando Gideão foi chamado para batalhar contra os midianitas, ele pegou o que tinha em mãos. (Juízes 7:16) Não foi com armas avançadas e cavalos de guerra, mas com bacias vazias, tochas acesas e trombetas que a guerra foi vencida.

Quando Davi foi enfrentar Golias, ele recusou o que queriam dar para ele e lutou com aquilo que era seu. (I Samuel 17:40) Não foi com a armadura real ou com as armas dos homens, mas sim com uma pedra do rio que o gigante foi morto.

Talvez você ache que o que você tem a oferecer não é o bastante, ou talvez você olhe para si e sinta que está longe de ser o bastante para ser usado ou para agir. Mas a Bíblia nos confirma em I Coríntios 1 que é justamente o que somos hoje que Deus quer usar para realizar a Sua obra – mesmo que sejamos fracos ou incapazes aos olhos do mundo ou até aos nossos olhos. O que Deus quer nos mostrar é que o pouco que temos ou o pouco que somos é mais do que o bastante nas mãos de dEle para agirmos hoje e, quem sabe, até alimentar multidões.


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