Semeando Esperança


25/03/2013 – Sim e Não, Dito e não dito
25/03/2013, 7:07 pm
Filed under: Semanal

As restrições existentes são uma das principais temáticas abordadas quando nos deparamos com discussões entre pessoas que adotam uma religião (no caso desta reflexão, o cristianismo) e pessoas que optam por não adotar religião alguma. Cansei de ouvir gente dizendo que “virar crente” é ter que “parar de fazer tudo que é bom na vida”. Que ser cristão é se tornar uma pessoa sem personalidade, sempre se anulando e se privando. Que a religião é uma cartilha de regras, recheada de “não isto” e “não aquilo”, proibindo tudo.

Na Bíblia, temos diversas sugestões e ordenanças recebidas por Deus por intermédio dos profetas, reis e sacerdotes. Se considerarmos os 10 mandamentos, listados originalmente em Êxodo 20:2-17, vemos que 9 dos 10 começam com “não”:

1 – Não terás outros deuses além de mim;
2 – Não farás para ti imagem de escultura;
3 – Não tomarás o nome de Deus em vão;
4 – Não trabalharás no “sábado” (por sábado, entende-se o dia do Senhor);
5 – Honra teu pai e tua mãe;
6 – Não matarás;
7 – Não adulterarás;
8 – Não furtarás;
9 – Não dirás falso testemunho;
10 – Não cobiçarás o que os outros tem.

Considerando esta quantidade de “nãos”, será que estas pessoas estão certas ao dizer que o Deus que buscamos é de fato um Deus punitivo e que busca “anular” as pessoas, as tornando ‘máquinas’ que não questionam e não pensam por si só? O objetivo desta reflexão é tentar contrapor esta opinião, dizendo que ao buscar a Deus, ao invés de perdermos a nossa personalidade e individualidade, nós acabamos nos encontrando e descobrindo o nosso verdadeiro potencial e capacidade.

Primeiramente, é importante frisar que Deus fala conosco e age como um pai em relação ao filho. Ele não diz “não” por capricho, raiva ou sem motivo. Todo “não” de Deus (assim como todo “sim) tem um motivo e uma explicação e Ele quer que a gente conheça e entenda este motivo. Buscar esta explicação não é, como alguns dizem, rebeldia ou falta de fé (qualquer um de uma igreja tradicional já deve ter ouvido que “quem questiona é porque não crê”). Bem pelo contrário, querer entender o que Deus nos diz e as motivações por trás disso é sinal do anseio da alma de conhecer a Deus, um Deus que quer ser conhecido. Pensando nos 10 mandamentos, podemos dizer que:

Quando Ele diz que não temos que ter outros deuses é porque Ele está assumindo o compromisso de que Ele será sempre o nosso Deus e que apenas um, apenas Ele já é mais que o bastante;
Quando Ele diz que não devemos fazer imagens de escultura é porque Ele quer que a nossa fé não seja baseada naquilo que podemos ver ou tocar, mas em um Deus que transcende apenas o concreto e visível, mas cujo poder vai além do que se consegue mensurar;
Quando Ele diz que não devemos dizer o nome dEle em vão é porque Ele quer que tenhamos a compreensão da seriedade e o peso das nossas palavras, que o que dizemos é reflexo daquilo que temos em nosso coração;
Quando Ele diz para um povo que foi escravo por mais de 400 anos que eles não devem trabalhar no sábado, é uma forma de mostrar que Ele se preocupa com o povo de tal forma ao ponto de assegurar que eles também descansem;
Quando Ele diz para não matar é porque Ele anseia que o busquemos e que nos tornemos a cada dia um pouco mais como Ele é – Ele é um Deus que é vida e deseja que nós também divulguemos vida;
Quando Ele diz para não adulterar é porque Ele anseia por um povo que perceba a importância de um relacionamento, que o relacionamento entre as pessoas é análogo ao nosso relacionamento com Deus;
Quando Ele diz para não furtarmos ou cobiçar o que os outros tem é porque Ele é mais que o suficiente para dar a cada um a sua porção, para assegurar que não faltará e que viveremos em abundância;
Quando Ele diz que não podemos dar falso testemunho é porque Ele quer que falemos palavras de vida, que edificam nossos irmãos e amigos.

Não é o que não fazemos que faz a diferença, mas sim o que fazemos. Só porque você não mata ninguém, não quer dizer que tem sido um mensageiro de vida. Só porque você não adulterou, não quer dizer que você tem amado ou tratado a pessoa ao seu lado com o devido carinho e respeito. Não adianta só “não fazer o errado”, nós temos também que “fazer o certo”. Com base nisso, podemos afirmar que todo “não” dito por Deus tem um “sim” não dito. Nós temos que obedecer os dois, porém isso só é possível ao conhecermos a Deus.

Vez ou outra temos que obedecer antes de entender, mas isso só ocorre quando confiamos (ou seja, conhecemos) a Deus. Como a criança pode não entender porque seu pai não a deixa sair correndo pela rua, ela obedece pois conhece o pai e sabe que perto dele, ela está segura. Quando a criança cresce e entende o porque que seu pai não o deixou correr pela rua, por trás do “não” ouvido, ele enxerga o amor de um pai que se preocupa e sabe mais do que ela. Assim também temos que aprender a obedecer a Deus pela motivação correta – por amarmos e confiarmos nEle. Ao crescermos em fé, também seremos capazes de enxergar por trás de cada “não” de Deus, um Pai que nos ama e só tem o melhor por nós. Obedecer sem compreender gera rebeldia para uns (os que optam por desobedecer) e arrogância para outros (os que optam por obedecer para ter uma sensação de superioridade/santidade).

Deus não busca obediência cega, motivada por medo de punição de um Deus distante.
Deus busca obediência de um coração voluntário e disposto, motivada pela confiança em um Deus conhecido.
Deus busca pessoas que não se contentam apenas em obedecer o que foi dito, mas que busquem com coração disposto aquilo que não foi dito, pois aí se revela aquilo que Deus “ocultou” do mundo.

A minha oração é para que Deus possa trabalhar no coração das pessoas que estão presas nesta visão de que buscamos a um Deus proibitivo (sejam cristãos ou não), um Deus que arma “ciladas” para que possa nos punir por nossos erros. Da mesma forma, que Deus também desperte no coração daqueles que já o conheceram, que continuem a buscá-Lo para que aquilo que “não foi dito” seja revelado para um relacionamento mais íntimo com nosso Pai. Por fim, que aqueles que entendem e obedecem a Deus com um coração voluntário, sejam despertos para fazer o bem “em tempo e fora de tempo”. Que façam o certo mesmo quando não forem ordenados abertamente, pois assim que se expressa a verdadeira liberdade perante Deus.


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