Semeando Esperança


30/11/2012 – Palavra e Ação – Paradoxo social
30/11/2012, 7:01 pm
Filed under: Semanal

Desde que os homens começaram a se organizar em sociedade pelo mundo, houve a necessidade de compromissos firmados. Seja no escambo de ovos por peles de animais ou na decisão de tamanho de território, em algum momento as pessoas estabeleciam as condições do compromisso por intermédio da palavra. As populações foram crescendo, os povoados e nações nascendo, porém a estrutura de qualquer relacionamento era baseado na palavra da pessoa. Expressões como “no fio do bigode” (que era algo acordado apenas na palavra) ou “dou a minha palavra” são originadas neste costume. A palavra de uma pessoa era o bastante para desde fechar negócios, até arranjar casamentos. Os compromissos eram baseados na honra.

De um tempo pra cá, principalmente no último século, com o crescimento da economia e o florescimento de tecnologias novas, houve também uma degradação do relacionamento humano. Enquanto antes os acordos e negociações eram baseados em confiança e honra, numa interação que era fortalecida com o tempo, passaram a ser realizados apenas pelo interesse financeiro. Isto gerou nas pessoas a necessidade de usar cada vez mais contratos e documentos para assegurar que as palavras trocadas seriam cumpridas.

Porém, não é a economia e a tecnologia que destruiu o valor da palavra dos homens. A diferença entre os tempos modernos e estes de antigamente é que enquanto hoje há pessoas que mesmo com contratos assinados se recusam a cumprir o acordo, no passado a palavra de um homem era um compromisso vitalício e inabalável. Ou seja, antes, era dito e cumprido. Antes, o homem jurava pela sua honra, dizia que dava “a sua palavra” – hoje há um ditado popular que diz: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.”

Houve uma ruptura entre a palavra e a ação e isto gerou uma doença na sociedade cujos sintomas são a falta de confiança e a hipocrisia (falar uma coisa e fazer outra). Podemos dizer, então, que aos poucos a sociedade também se distanciou de Deus neste aspecto.

Em João 10:37-38, Jesus diz o seguinte: “Se não faço as obras de meu Pai, não vão acreditar em mim. Mas, se eu fizer e mesmo assim não acreditar no que eu digo, acredite nas obras; para que por meio delas possam saber e compreender que o Pai está em mim e eu estou no Pai.” Simplificando a mensagem, o que Ele quis dizer é que, se as pessoas não acreditassem nas palavras, deviam acreditar pelas obras. Alguns dizem que Ele falava isso pra “esfregar na cara” dos incrédulos que era o filho de Deus, mas eu não acho que era essa a intenção. Jesus quis dizer que se você ouvisse a palavra ou visse a ação, você veria o mesmo resultado sendo mostrado, ou seja, não havia contradição entre as palavras e as ações. Trocando em miúdos, Jesus vivia o que pregava e pregava o que vivia. Por isso que Ele se torna um exemplo irrepreensível a seguir – não há ‘falhas’ na sua postura.

Será que temos honrado nossas palavras? Que temos assumido compromisso com nossos familiares, amigos e empresas e cumprido conforme acordamos? Ou temos dito uma coisa e feito outra? E isto se aplica a todos os aspectos e momentos da vida – desde os mais grandiosos (como um casamento ou compra de um imóvel), como a um de menor impacto (como sair com um amigo para conversar). Podemos destacar alguns exemplos de como as palavras hoje praticamente perderam seu valor, mesmo se estiverem escritas:

– Os votos de casamento – que são quebrados pela falta de respeito, falta de empenho e pela traição;

– Os contratos de serviço que não vendem condições mentirosas e não cumprem o que prometem – acho que todos vocês já tiveram no mínimo um problema com a tv a cabo ou a operadora de celular;

– As propagandas das lanchonetes e restaurantes – ou alguém aqui já foi ao McDonalds e conseguiu achar um lanche que seja igual ao da propaganda?;

– Os perfis das redes sociais – as pessoas sempre falam de livros que não leram, lugares que não foram e colocam fotos que não fazem jus à realidade;

– Os compromissos dos líderes religiosos – que prometem coisas anti-bíblicas e frustram o povo, tornando o corpo doente

Enfim, são diversos os exemplos que temos em todas as áreas da vida – claro que isto não se aplica a todas os casos, pois há serviços que são cumpridos, pessoas que cumprem seus votos e líderes religiosos que são fiéis a palavra. Mas o fato é que já estamos acostumados e criando nossos filhos e as nova gerações também acostumadas a um mundo em que é normal ter essa discrepância entre o que se diz e o que se faz. Quando alguém cumpre o que diz, ele é parabenizado ou tido como um “homem especial”.

Já disse Tiago que de uma mesma fonte, não se pode tirar água doce e amarga (Tiago 3:11), mas é exatamente isto que acontece com a pessoa que vive em conformidade com o que diz. Tem um verso de uma música do Teatro Mágico que também revela esta verdade:

“Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”

Errado é não viver o que diz e à luz da palavra de Deus, temos a confirmação de que ter esta postura é errada.  De acordo com a Bíblia, nós temos que:

1) Ser imitadores de Cristo (Efésios 5:1) – que não haja diferença entre nossas palavras e ação, que ambas apresentem os mesmos conteúdos e peso;

2) Levar vidas irrepreensíveis (I Tessalonicenses 5:23) – ou seja, agindo em concordância com nossas palavras para não sermos condenados;

3) Sim, sim e não, não (Mateus 5:37) – se a nossa palavra for afirmativa, a ação também deve ser e se a nossa palavra for negativa, também a nossa ação.

Que Deus possa nos ensinar a cada dia a vivermos nestes princípios, que sejamos homens e mulheres honrados cujas palavras possuam o mesmo peso e responsabilidade das ações.


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