Semeando Esperança


14/09/2012 – Tradição, Renovo e Respeito
14/09/2012, 5:21 pm
Filed under: Semanal

Em diversas das reflexões que tenho enviado nos últimos anos, a diferença entre as denominações é um dos temas que são recorrentes. Mais do que a diferença, falei também sobre como temos que tomar cuidado para que estas diferenças não nos façam esquecer qual é o verdadeiro foco da igreja, bem como não distorcer a importância na relação entre nós e Deus (link) e entre as igrejas e Deus (link).

As diferenças dos homens, infelizmente, não permitem que haja uma única igreja (física) sob uma única bandeira ou placa, cujo único nome importante não é a da denominação e sim o nome de Jesus. A única forma do corpo de Cristo permanecer e comportar os homens como são é a da existência de comunidades distintas para se reunir em adoração, cada uma com sua doutrina, seus costumes e sua forma de expressão. Contanto que não perca a base das escrituras e da graça de Deus, eu acredito que esta divisão não é nociva.

Um dos pontos de conflito que mais se evidencia entre as igrejas é a questão dos “tradicionais” x “renovados”. Este conflito é apresentado de diversas formas – “legalistas x viver pela graça”, “geração ‘pela dor’ x geração ‘pelo amor”. Já ouvi até algo na linha de “crente x evangélicos”, como se os tais dos “evangélicos” não quisessem ser misturados com os “crentes não instruídos”. Ao meu ver, este conflito serve para deixar claro uma coisa que existe no meio cristão (especialmente no meio evangélico): a falta de respeito.

A falta de respeito, todavia, não é a causa dos problemas ou o motivo que gera os conflitos. Trata-se de um sintoma que existe no coração do cristão que resolve ignorar os ensinamentos claros de Cristo – “Irmãos que devem viver em união” (Salmo 133:1), “considerar os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3) ou então “suportando-vos / respeitando-vos uns aos outros em amor” (Efésios 4:2). A falta de respeito é um sintoma da falta de amor. Resolvi destacar dois pontos de discussão que aparecem ao se contrapor os tradicionais e os renovados. Importante destacar que nem estes pontos são genéricos e se aplicam ao conceito generalistas apenas e não às pessoas e às denominações. São eles:

1) Passado ou Presente?

Um dos pontos que aparecem é a idéia de que os novos evangélicos são uma espécie de “evolução” dos da geração passada. Em alguns casos, há lares que são abalados por causa desta fissão – o conflito provocado pelas doutrinas ao invés do diálogo sugerido pela Bíblia gera este tipo de cenário.

Na Bíblia, vemos em Salmos 145:4 que “uma geração louvará as tuas obras à outra geração, e anunciarão as tuas proezas.” Ou seja, é papel dos mais velhos de passar para os mais novos o conhecimento de Deus.

Está escrito também que “os jovens são o tesouro dos velhos” (Provérbios 17:6). Em contra partida, a Bíblia fala que os jovens não devem “remover os limites feitos pelos pais” (Provérbios 22:28) e que “os pais são a glória dos filhos” (Provérbios 17:6).

Fica claro que os representantes do passado tem responsabilidade na edificação dos que representam o presente. Da mesma forma, os representantes do presente devem aprender e respeitar o passado. Afinal, se a sua compreensão é tão mais ampla, eles tem por obrigação respeitar e compreender os mais antigos.

O pregador bem disse lá em Eclesiastes 3:15: “O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi.” Aos olhos de Deus, tudo é passado, ou seja, passado e presente são o mesmo. Por este motivo, a resposta para esta questão é: Ambos.

2) Sofrer ou Sorrir?

De um lado, alguns “velhos” sisudos e carrancudos, aguardando a felicidade apenas no céu. Do outro, uns jovens dopados de Lexotan doutrinário, negando qualquer tipo de dor e sofrimento, vivendo (e dançando) em um campo florido com Jesus. Uns negam a capacidade de viver algo de bom nesta vida pois “o mundo jaz no maligno” (I João 5:19) e outros negam a necessidade do sofrimento pois alegam que Jesus já sofre na cruz por nós. Os dois lados erram por não aprender um pouco com o lado oposto.

Lá em Eclesiastes 9, o pregador fala o seguinte: “Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o mesmo.” Isso apenas serve para confirmar que ser cristão não é uma garantia de que tudo será maravilhoso e que a vida será fácil e apenas com alegria. Jesus mesmo disse que teríamos aflições (João 16:33), que seríamos perseguidos (II Timóteo 3:12, Mateus 5:10) e odiados (Lucas 21:17). Não parece um cenário de muitos sorrisos.

Ao meu ver, o escritor aos Romanos resume bem esta questão quando diz que temos que “nos alegrar com os que se alegram; e chorar com os que choram” (Romanos 12:15). Teremos momentos de sofrimento, teremos momentos de felicidade. Ou seja, a resposta para esta questão também é: Ambos.

Por mais que o homem queira criar separação entre as igrejas ou até criar conceitos de que uma igreja é melhor ou superior à outra, a palavra de Deus serve como prumo para mostrar que todos somos iguais – não somos consumidos pelo zelo divino porque Jesus morreu na cruz em nosso lugar.

Enquanto escrevia o texto, lembrei-me de um corinho que aprendi ainda criança, muito cantado em igrejas tradicionais, principalmente nas reuniões de oração e vigílias. A letra é a seguinte:

“Não importa de qual igreja que tu és
Se aos pés do calvário tu estás
Se o teu coração é igual ao meu
Dá-me a mão e meu irmão será.”

O triste é perceber que a maioria das pessoas que cantavam essas músicas, usavam também suas vozes para atacar, ferir e criar separação no corpo de Cristo. Se hipocrisia matasse, acho que a população evangélica seria reduzida catastroficamente. Mas graças a Deus que nos perdoa e nos ensina a caminhar de forma correta, buscando uma postura irrepreensível (Tito 2:8), sem vacilar nas palavras (Mateus 5:37).

Minha oração é que Deus possa fazer que a letra simples desta música seja a verdade não apenas nos lábios, mas sim no coração de cada um dos irmãos.


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