Semeando Esperança


15/08/2012 – Caminhar e Perseverar
15/08/2012, 5:59 pm
Filed under: Semanal

Já falei um pouco sobre José no texto “A vida no oposto”, destacando como a postura dele sempre foi contrária ao que era frequente no mundo na época ou até contra o bom-senso da situação. Nesta reflexão, quero destacar mais alguns traços do perfil e comportamento de José ou acontecimentos no decorrer da sua vida que servem de exemplo para que tenhamos uma vida com mais perseverança. Recomendo a leitura de Genesis 37-45 para melhor compreensão da história. Destaquei cinco tópicos que quero abordar o decorrer da reflexão, são eles:

1) Sair do ambiente familiar/zona de conforto

Quando ainda em casa, José teve seus sonhos proféticos e recebia presente do seu pai. Era o filho favorito, o “queridinho”, o mais mimado. Só que para Deus começar a trabalhar na vida dele, José precisou sair dessa zona de conforto. Da mesma forma que Abraão teve que “sair da terra dele e do meio da parentela” (Genesis 12), José também foi forçado a sair. Alguns de nós, como fez Abraão, decide por conta própria ouvir e obedecer a ordem de Deus de sair para ser moldado. Infelizmente, assim como José, a maioria de nós se apega ao comodismo e acaba tendo que passar por uma situação que força esta mudança – uma decepção, traição, porta fechada, etc. O fato é que nenhum processo de crescimento e preparo ocorre sem que haja uma mudança de ambiente e mentalidade.

2) Tempo de isolamento

No texto “Preparo e Vontade“, destaco que há um local em que Deus nos prepara para cumprir o plano dEle. Uma característica deste preparo é que geralmente é realizado com um isolamento. Elias, por exemplo, ficou no deserto por alguns dias (I Reis 17) e depois também ficou em uma caverna. No caso de José, este período foi separado em duas partes igualmente desagradáveis: primeiro, como escravo e depois, como prisioneiro. Nestes ambientes, ele era o único que temia a Deus. Estava em uma terra estrangeira, teve que aprender a falar um novo idioma e lidar com pessoas que o consideravam o menor e pior entre eles – bem o contrário do que ele estava acostumado a viver na sua casa. Este isolamento é necessário porque são nestes momentos que aprendemos a falar e ouvir a Deus – lembrando do exemplo de Jesus que sempre “se retirava para orar” (Lucas 6:12).

3) Não parar de fazer o certo

José tinha sido traído pela sua família, vendido como escravo pelos seus irmãos e comprado como escravo em uma terra estrangeira. Ninguém o conhecia e ele teria todos os motivos do mundo para se tornar um “rebelde” e fazer várias coisas erradas. Já conheci pessoas que justificam as suas atitudes erradas colocando a culpa nos outros ou na situação: “Eu traio minha mulher porque eu já fui traído”, “eu minto na declaração do IR porque o governo sempre me rouba” ou talvez “eu compro DVD pirata porque os originais são muito caros”. Todos podemos criar justificativas, mas um homem temente a Deus fica firme em seus valores.

Posso citar Davi que colocou a sua vida em risco contra um inimigo terrível (I Samuel 17) para defender a honra de Deus e também nunca ergueu a mão contra o rei Saul que o tentava matar. José teve no mínimo 3 oportunidade durante o período de isolamento para fazer algo contra os ensinamentos de Deus – poderia ter se recusado a ajudar o copeiro na cadeia, poderia ter se recusado a atender seus irmãos (como vou explicar no item 5) e, talvez a principal “oportunidade” que ele teve foi quando a mulher do seu chefe deu em cima dele.

Novamente, considerando a situação em que ele se encontrava, “pegar” a mulher do chefe seria algo justificável na perspectiva de um homem rebelde – talvez até algum irmão poderia pensar: “o cara me comprou como escravo, to aqui “na seca” e aparece essa chance. Vou aproveitar!” Mas José, ao não agir de forma errada, acabou sendo injustiçado e foi preso. Mesmo depois disso, ele optou por continuar agindo corretamente. Ajudou um colega de cárcere e pediu que ele se lembrasse dele para que fosse feito justiça. O colega foi libertado e se esqueceu dele por dois anos! Mesmo depois disso tudo, ele continuou firme com sua postura de obedecer a Deus e se manter correto.

4) Perseverar até o fim

Há muitas pessoas que também mantêm sua postura e valores, mas se tornam pessoas que se distanciam dos problemas e dilemas da vida, optando por um isolamento auto-imposto. São as pessoas que de tanto “apanhar” da vida por não querer fazer as coisas erradas, prefere abrir mão de se envolver nestes casos. Quando vemos nossos esforços não sendo reconhecidos, nossa postura correta sendo paga com injustiça e nossos planos sendo destruídos por pessoas ou situações externas, fica difícil ir em frente.

Falei no texto Derrotas Temporárias que os reveses que enfrentamos são passageiros quando estamos em Deus. Mas não temos essa percepção no dia a dia, muitas vezes a nossa percepção humana nos faz ter a certeza de que a situação chegou ao fim ou que a melhor saída é simplesmente desistir. Mas, seguindo o exemplo de Abraão que “creu contra a esperança” (Romanos 4:18), temos que seguir em frente. Paulo, na sua segunda carta para Timóteo diz que a nossa vida com Cristo é uma “corrida a ser terminada e um combate a ser combatido”.

José não abriu mão dos sonhos e promessas de Deus até que eles se tornaram realidade. Quando foi traído pela família, ele seguiu. Quando foi vendido como escravo, ele se esforçou. Quando foi injustiçado pela mulher de Potifar, ele foi em frente. Quando foi lançado na cadeia, ele creu. Quando foi esquecido pelo colega de cárcere, ele perseverou. Quando foi chamado na presença de Faraó, ele se preparou. Quando foi nomeado vice-rei do Egito, ele se humilhou na presença de Deus e agradeceu, tanto nomeou seus filhos Efraim (Deus me fez prosperar na terra da minha aflição) e Manassés (Deus me fez esquecer do meu sofrimento e do meu passado) como vemos em Gênesis 41.

Não adianta sair da zona de conforto, se preparar e manter sua postura correta se você não for até o fim. O maratonista que acorda cedo todo dia, treina exaustivamente, se alimenta corretamente e dorme nos horários corretos, mas não consegue terminar a corrida, não consegue explicar o motivo de tudo o que passou. Apenas os que completam a corrida são vitoriosos e se tornam capazes de entender o preparo. Na nossa vida com Deus, apenas quem persevera até o fim, recebe a vitória e se torna capaz de entender e ver o trabalhar de Deus em todas as situações de aperto que passou.

5) Perdoar quem o feriu

José estava no topo do mundo. À época, ele podia facilmente ser considerado o segundo homem mais poderoso da Terra. Depois de ter enfrentado tantas dificuldades, ele finalmente viu a mão de Deus virando o seu cativeiro e o abençoando. Mas os sonhos que ele teve lá em Genesis 37 não haviam se cumprido. Com o avanço da fome no Egito e nas terras ao redor, a família de José foi comprar alimento e foi apresentada perante ele. Ele poderia tê-los maltratado ou matado. Ele poderia ter feito o mesmo com Potifar e a mulher dele. O costume do povo era de “olho por olho e dente por dente” – inclusive isto foi reforçado na lei mosaica posteriormente. “Perdoar os que te ofenderam” foi o princípio adotado por ele, contrário ao costume da época. Ao perseverar e completar a sua carreira e, por isso, compreender o plano de Deus pra sua vida, foi formado nele o caráter de Cristo.

Quando ele decidiu em seu coração a tomar esta atitude, o sonho profético se realizou – ele viu sua família se prostrar à frente dele. Mas não enxergou isso com um coração orgulhoso, como se dizendo: “Aí seus manés, me traíram e agora tão pagando por isso!”. A Bíblia relata que ele teve que sair de perto deles para chorar pois seu coração estava quebrantado. Uma pessoa com o caráter de Cristo aprende não apenas a perdoar, mas sentir compaixão pelos que sofrem, mesmo que sejam as mesmas pessoas que o fizeram sofrer. Nossa caminhada com Cristo só estará completa quando em nós for formado o coração dEle – não adianta apenas sair da zona de conforto, se preparar, se manter firme e cruzar a linha de chegada.

Cada passo que damos na nossa caminhada com Cristo, é um passo mais perto de Deus.

Cada passo que damos na nossa caminhada com Cristo, é uma parte de nós que fica pra trás.

Cada passo que damos na nossa caminhada com Cristo, é um passo dado para nos tornarmos como Jesus.

Que possamos continuar nossa caminhada com firmeza, pedindo a Deus que nos guie para que não apenas concluamos a corrida, mas que façamos isso de forma correta, criando em nós o caráter de Cristo, como homens aperfeiçoados.


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