Semeando Esperança


19/07/2012 – Retomando Fundamentos: Oração
19/07/2012, 8:54 pm
Filed under: Semanal

Em outubro do ano passado, falei um pouco sobre um dos fundamentos da fé cristã, o Primeiro Amor. Esta semana optei por discutir um pouco sobre outro fundamento importante da fé: a oração. Paulo nos instrui em I Tessalonicenses 5:17 a “orar sem cessar”, pois tinha clara a importância da oração para aquele que almeja ser um verdadeiro cristão. Como Paulo também disse, nós temos que ser “imitadores de Cristo” (Efésios 5:1) e o exemplo por Ele deixado é de que temos que sempre orar. Ele sempre se retirava da multidão para orar (Lucas 9), orava antes de se alimentar (I Corintios 11:24), orava nas situações difíceis (Mateus 26:39), orava antes de realizar milagres (João 11:42) e assim por diante.

Infelizmente, o costume de sempre orar tem sido esquecido em muitas igrejas. Raramente vemos cultos de oração e, quando eles ocorrem, não vemos os templos cheios. Algumas igrejas tem educado de forma equivocada os seus seguidores a apenas usarem a oração como forma de exporem seus anseios e indignações ou numa tentativa sem vergonha de coagirem a Deus para que realize seus pedidos. Tem se perdido a compreensão da oração como um diálogo com Deus, o momento em que não apenas nos apresentamos perante Deus, mas também no momento em que Ele pode se apresentar a nós, tocando e mudando nossa vida. Jesus entendia a importância disso e nós também temos que entender. Para tentarmos compreender um pouco mais do peso que a oração tem, destaquei quatro pontos que mostram a importância de orar para as nossas vidas

1) A oração desenvolve e cultiva o relacionamento

Há um ditado que diz que o diálogo é uma via de duas mãos. Da mesma forma, na oração ocorre um fluxo duplo de interação – nos apresentamos a Deus e Ele se apresenta a nós. Orar é conversar com Deus e a base de qualquer relacionamento sadio é o diálogo. O diálogo gera compreensão, cumplicidade, entendimento, proximidade, parceria e admiração. Além disso, a interação continua também mantém e cultiva aquilo que já foi conquistado, a intimidade, a confiança e a participação total.

A Bíblia nos fala de dois homens que foram conhecidos pelo seu relacionamento com Deus – Davi, que era “o homem segundo coração de Deus” (I Samuel 13:14) e Abraão, que era conhecido como “o amigo de Deus” (Tiago 2:23). O ponto em comum na vida destes dois homens era o contato e diálogo contínuo com Deus. Eles SEMPRE oravam, seja antes de ir para a guerra (II Samuel 5:19) ou para salvar uma cidade (Gênesis 18).

2) A oração combate a rebeldia

Rebeldia é um assunto que está em voga. Uma das alegações para este comportamento é de que não há a compreensão dos dois lados – filhos se rebelam pois alegam que seus pais não os entendem, o povo se rebela pois alega que seu líder não o entende e assim por diante. Da mesma forma, as pessoas se rebelam contra Deus pois acreditam que Ele não os entende ou que simplesmente não se importa com elas. A origem deste desentendimento muitas vezes é a falta de diálogo. Como citado no item anterior, o diálogo gera a compreensão e isto faz com que nos tornemos aptos a reconhecer não apenas o outro lado, mas também de nos colocarmos em nosso lugar, reconhecendo a autoridade e sabendo agir com sabedoria. Assim como conversar com nossos pais nos faz mais capazes de entender os seus motivos, respeitar sua autoridade e obedecer suas ordens, orar a Deus nos torna aptos a compreender sua vontade (Efésios 5:17), ouvir a sua voz (João 10:27) e obedecer os seus mandamentos (João 14:21).Como diz Terry Johnson, “a oração não muda mente de Deus, mas sim a mente de quem ora.”

3) A oração move a mão de Deus

Ha um versículo em II Crônicas 7:14 que diz que Deus se move para agir quando o povo ora. Por diversas vezes, vemos que a oração do povo de Israel fez com que a mão de Deus agisse para preservá-los (Jonas 3, I Reis 21 e outras). Podemos também destacar diversos exemplos na Bíblia em que a oração desencadeou a intervenção divina: Moisés abriu o mar (Êxodo 14), Jesus orando antes de curar (João 11), Elias ao enfrentar os profetas de Baal (I Reis 18), Jabez ao clamar a Deus (I Crônicas 4:10), e outro tantos mais. Orar é a nossa forma de dizer a Deus que precisamos que a mão dEle se mova em nosso favor, que a mão dEle alcance onde nós não somos capazes de agir.

Há algumas pessoas que dizem que a oração não é necessária porque Deus já sabe o que está acontecendo. Mesmo assim, cabe a nós falar, como está escrito em Filipenses 4:6, “nossas petições devem ser em tudo conhecidas”. O foco não é na sapiência de Deus, mas sim na nossa disposição de confiar ao falar com Ele.

4) A oração nos deixa em sintonia com o Espírito de Deus

Um dos benefícios mais importantes (e um dos mais esquecidos) da oração é que ela nos torna próximos ao Espírito de Deus. Talvez você possa perguntar qual a importância de ter esta intimidade com o Espírito. Dos inúmeros motivos, eu destaco apenas dois: 1) Ele é o nosso elo com a Trindade na Terra, enviado por Cristo (João 15:36) e; 2) O Espírito sonda a mente de Deus (I Corintios 2:10) e nos revela a vontade do Pai. O Espírito Santo é tão importante que sem Ele é impossível se relacionar totalmente com Deus. Por este motivo, sem o Espírito, nossas orações se tornam apenas palavras repetidas e recitadas, um monólogo.

Quando oramos, este Espírito que habita em nós (I Corintios 3:16) nos direciona em todos os aspectos das nossas vidas. Nosso coração é direcionado a agir de forma correta, para que não O aborreçamos (Efésios 4:30). Só com a ação do Espírito em nós, podemos nos tornar cristãos melhores, ou ainda mais, pessoas melhores. Ele intercede por nós (Romanos 8:26), nos instrui (Salmo 32:8), nos faz lembrar do que importa (João 14:26) e nos consola (João 15:26). Apenas através da oração é que podemos vivenciar por completo a ação do Espírito em nossas vidas.

Sem medo de errar, afirmo que sem oração, não temos como ter uma vida cristã. A oração nos torna imitadores de Cristo, íntimos do Espírito e obedientes a Deus. Que Deus possa gerar em nossos corações a compreensão desta importância para que não consigamos passar um dia sem conversarmos com Ele.


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