Semeando Esperança


11/07/2012 – Intenção sem ação
10/07/2012, 11:18 pm
Filed under: Semanal

“O que vale é a intenção.” Acredito que todos nós, em algum momento da vida, já ouvimos esta expressão. Geralmente, quando algo feito não atinge o objetivo pretendido. Falei um pouco em outro texto sobre a importância da intenção do primeiro passo, porém creio que há a importância de frisar algo: a intenção só é válida quando ela é concretizada em sua totalidade por intermédio da ação. Havia mencionado a mulher com fluxo de sangue (Marcos 5), que propôs em seu coração ainda no primeiro passo a tocar nas vestes de Jesus. Se ela tivesse apenas tido a intenção mas não tivesse agido, ela não teria sido curada.

Creio que esta diferença muitas vezes não tem ficado clara na mente de muitas pessoas no mundo de hoje. As pessoas possuem boas intenções, mas no momento de agir, permanecem paradas ou agem de forma incompleta. Há um outro ditado que diz que “de boas intenções, o inferno está cheio”.

Para melhorarmos esta reflexão, vamos pensar em três situações que fazem parte do nosso dia a dia:

1) Você trabalha em uma empresa e pede para um assistente que faça um relatório do ano anterior sobre valores recebidos, para saber quanto a empresa faturou. Quando o prazo expira, ele te apresenta um relatório considerando apenas os recebimentos de Janeiro até Setembro.

2) Você é técnico de um clube de futebol e tem no seu time um craque. Na final do campeonato, ele faz muitas jogadas bonitas, vários dribles e toques precisos, porém não faz o gol e o time perde o jogo.

3) Você decide fazer um bolo de chocolate e pede para sua mãe aquela receita de família que é passada de geração em geração. Sua mãe te envia a receita da massa, mas esquece de enviar a parte do recheio e cobertura.

Nos três casos mencionados, vemos que uma situação se repete, a atuação parcial. Nestas situações, apesar da boa intenção, não adianta ter um relatório parcial, uma receita pela metade ou jogadas bonitas em um jogo. Não se consegue levantar o lucro do ano com apenas 9 meses, não se faz um bolo com meia receita e não se ganha jogo apenas com jogadas bonitas. Apesar de todos entenderem isto claramente, muitas vezes parece que isto não fica tão claro quando o assunto é a nossa relação com Deus. Apelamos para a misericórdia divina para justificar a nossa falta de disposição em agir, porém isto não passa desapercebido aos olhos de Deus.

No livro de Jonas, vemos a história de um rapaz que tinha boas intenções em seu coração, queria ser um profeta e espalhar a palavra de Deus. Porém, quando chegou a hora de colocar em prática as intenções, tentou fugir e fazer as coisas pela metade. Quase morreu no processo e só foi liberado quando decidiu realizar aquilo que havia proposto. Em Gênesis 19, vemos a história de Ló que foi instruído por um anjo a fazer duas coisas: 1) sair de Sodoma com sua família e 2) não olhar para trás. A intenção era escapar da morte e agiu neste sentido. Sua esposa, apesar de ter a intenção correta, não agiu de forma correta – apesar de ter saído da cidade, olhou para trás e, por isso, faleceu. Poderia ainda mencionar a história de Geazi – creu na cura de Naamã, mas caiu perante as riquezas (II Reis 5), rei Jeoás – bateu a flecha no chão, porém não o bastante (II Reis 13), Pedro – que caminhou com Cristo, mas acabou o negando e tantas outras de pessoas que tinham uma boa intenção, porém as ações tomadas foram incorretas ou incompletas.

Quando Deus está envolvido em nossas decisões, não há meio termo. Mudar de vida ou postura não é algo a ser considerado de forma leviana. Quando nossa alma está envolvida, não há margem para procrastinação ou meias verdades. Em Apocalipse 3:16, está escrito que “porque você é morno, você será o primeiro a ser jogado fora”. Parafraseando esta passagem, pode-se dizer que aqueles que ficam em cima do muro, são os primeiros a caírem. “Lançar a mão ao arado e olhar atrás” (Lucas 9:62), ou seja, tomar uma decisão mas só agir pela metade é como atravessar uma rua e parar no meio – fatalmente, você será atropelado.

A Bíblia nos diz que temos que pagar os nossos votos (Salmo 50:14), honrar a nossa palavra (Mateus 5:37) e sermos irrepreensíveis (I Tessalonicenses 5:23). Não use a misericórdia e a graça de Deus como muleta para aliviar seu erro, pois você será responsável pela conseqüência de TODAS as suas atitudes (Gálatas 6:7).

Se você propôs em seu coração mudar alguma atitude e até começou a mudar, porém continua voltando aos mesmos erros não por fraqueza, mas por “sem-vergonhice” (com perdão do termo), está na hora de tomar uma atitude de gente grande, parar com as meninices (I Corintios 13:11) e reconhecer que esta atitude não condiz com alguém que teve sua vida transformada por Cristo. Que não haja em nossas vidas com Deus, receitas ou relatórios pela metade, atitudes incompletas que impeçam que a obra de Deus se realize totalmente em nossas vidas. Que o Espírito possa gerar em nossos corações, a disposição que há no coração de Deus de não apenas completar a obra, mas aperfeiçoá-la (Filipenses 1:6) até o fim.


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