Semeando Esperança


31/10/2011 – Retomando Fundamentos: Primeiro Amor
31/10/2011, 9:23 pm
Filed under: Semanal
Fui criado no chamado “berço evangélico”, cresci indo à escola dominical, passava as férias na escola bíblica de férias. Uma dos assuntos mais abordados nos ensinos cristãos é o amor e isto é feito por diversas vertentes: Deus amou o mundo (João 3:16), o amor identifica o discípulo de Cristo (João 13:35), o amor cobre a multidão de pecados (I Pedro 4:8), amar o próximo (Romanos 13:9), amar a Deus (Marcos 12:30) e, resumindo, Deus é amor (I João 4:8). E, apesar de entender com clareza a mensagem e a dificuldade de vivê-la (ainda mais ao ver que muitas vezes a própria igreja contradiz a Palavra com as ações), havia um ponto que não ficava claro – o “Primeiro Amor”.
O “primeiro amor” é mencionado em Apocalipse 2:1, quando João, na sua carta à igreja de Éfeso, informa que apesar do trabalho bem feito, a igreja havia perdido o primeiro amor. Vi diversas pregações que falam sobre como o primeiro amor é a condição que temos quando conhecemos a Deus – em que há em nós a disposição de nos sacrificar com mais ímpeto, de passar dias na presença de Deus, de negar a si mesmo sem duvidar e de levantar a bandeira do evangelho sem se envergonhar. Como esse nosso amor “esfria” com o passar do tempo e por isso nos tornamos mais indiferentes à importância dele. Apesar de fazer sentido e explicar algo que realmente acontece nas igrejas, acredito que isto não se trata do primeiro amor. As nossas igrejas tem se tornado tão centradas no homem que acreditamos que o primeiro amor é algo que foi gerado e que gira em torno de nós. Mas não é isto que a Bíblia nos diz – vejamos o que está escrito em I João 4:19:
“Nós o amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro.”
Temos a tendência de complicar a mensagem de Deus, mas ela se apresenta bem simples: O primeiro amor é o amor de Deus. Quando Deus alertou os éfesos sobre o esfriamento do primeiro amor, Ele queria deixar claro que se nos preocupamos em agir mas nos esquecemos de amar, nossas ações são vazias. Temos visto isso acontecer em tantas igrejas ao redor do mundo – as igrejas crescem, se envolvem na sociedade e na política, mas tem esquecido de amar. Não estou falando do amor sentimental, nem do da boca pra fora. Mas o amor que te impele a agir, a se mover, a ter compaixão dos que sofrem. O amor que Cristo demonstrou tantas vezes ao ver os necessitados, o amor que aqueles que se nomeia cristãos tem o DEVER de ter. O amor de Deus.
Quando Jesus disse em Marcos 12 que os mandamentos se resumiam em amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, Ele deixou claro uma coisa. O amor de Deus é mais importante que o seu ministério, que a igreja, que as ações sociais e que a sua própria vida. Não que estas outras coisas não sejam importantes, mas que se não houver amor, elas não tem valor (I Corintios 13). Um dos maiores problemas que vemos no mundo hoje é a inversão dos valores, ou a falta de ordem que enfrentamos. Filhos que não respeitam os pais, jovens que não respeitam idosos, adultério e divórcio encarados com naturalidade, leis que defendem criminosos e estatutos que anulam a autoridade de quem deve mandar. Para que as coisas entrem em seus eixos, temos que nos firmar e basear no primeiro amor.
Quem ama corrige (cuidado com essas igrejas “hippies” que dizem que tudo pode) como vemos em Hebreus 12:6, mas não mata (mas também atente para àquelas que acreditam que corrigir é punição e não edificação) como está escrito em II Corintios 2:7.
Mas o que fazer para não “esfriarmos” o primeiro amor como a igreja de Éfeso? Basta não nos afastarmos de Deus e da Sua palavra – temos que constantemente nos questionar se nossas ações estão sendo direcionadas pelo amor e ensinamentos de Deus. Lembrando que:
– se apenas cremos em Jesus, somos apenas crentes;
– se apenas amamos a Cristo, somos apenas amorosos;
– se apenas estudamos a Bíblia, somos apenas estudiosos;
– se apenas seguimos as escrituras, somos apenas religiosos;
– agora se cremos, amamos, conhecemos e vivemos a Bíblia, aí estamos começando a nos tornar cristãos.
——
Paulo Cesar Baruk – Primeiro Amor
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3 Comments so far
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