Semeando Esperança


31/07/2011 – Pão e pedras
31/07/2011, 11:25 pm
Filed under: Semanal

No Salmo 115:8 está escrito que nós nos transformamos naquilo que adoramos. Ao olharmos os adeptos de uma crença, sejam budistas, espíritas, muçulmanos, xintoístas ou cristãos, percebemos que a mensagem deste versículo é real. Aquilo que adoramos, quando feito verdadeiramente de coração, gera em nós uma mudança para nos tornarmos mais como aquilo ou a quem adoramos. Um cristão que busca realmente a Deus se torna uma pessoa mais compromissada com a vida, mais interessada em conhecer os planos de Deus e com uma maior capacidade de divulgar a mensagem e o amor de Cristo. Tanto que a palavra “cristão”, nos seus originais em grego e latim, podem ser traduzidas como “pequeno Cristo”.

Todas as pessoas são adoradoras, mesmo os ateus. Ser adorador é algo inerente ao fato de sermos humanos. Alguns adoram as suas próprias convicções, a si mesmo, as suas posses, a sua família, etc. O homem que não conhece a Deus, permanece sem vida – torna-se como o seu deus, que não tem vida. No Salmo 115:4-7, vemos que há um tipo de deus de pedra, feito pelos homens que “tem boca, mas não fala; tem olhos, mas não vê; tem ouvidos, mas não ouve; tem nariz; mas não cheira; tem pés e mãos, mas não andam nem tocam e que não há som em sua voz.”

Obviamente, o pão é diferente da pedra, mas em alguns aspectos durante a nossa vida, essa clareza não é tão evidente. Destaquei três pontos dentre estes para reflexão:

1) Das pedras, Deus gera filhos e não pão.

Todos nós, antes de conhecermos a Cristo, éramos pedra. Mas, pelo amor de Deus, foi cumprida em nós a palavra que Jesus disse em Mateus 3:9 que “das pedras, Deus cria filhos”. No momento em que nós fomos transportados para o Reino do amor de Deus (Colossenses 1:13), pelo espírito de adoção (Romanos 8:15), deixamos de ser pedra e nos tornamos filhos de Deus, que vêem, ouvem, andam e falam. E, um fato importante, também se alimentam.

Ou seja, das pedras, surgem os filhos, mas o pão é apenas um, Jesus. Por isso que não devemos seguir homens ou nos fiar em doutrinas e igrejas, mas sempre em Jesus. Porque pedras, ou filhos, não podem nos alimentar. Apenas o pão alimenta e se o pastor ou ministro decide servir algo que não vem do verdadeiro Pão, esta mensagem se torna em pedra. Pedra enche o estômago, mas não alimenta.

2) Quanto mais pedra há em nós, menos a palavra é capaz de criar raiz e nos transformar.

Em Isaías 42:8, o profeta nos diz que Deus não divide a sua glória nem o seu louvor. No final do versículo, ele ainda frisa que não dividirá com imagens de pedra, de escultura. Portanto, temos que ter a convicção em nossos corações de que, enquanto há pedra, Deus e sua palavra não poderão agir completamente em nossas vidas. Ser pedra é o símbolo do humano, do que se gaba e se prende às suas limitações e condição. Confúcio disse que “para tomarmos de um novo chá, temos que esvaziar as nossas xícaras”. Da mesma forma, temos que nos esvaziar de nós mesmos, das pedras que há em nós, para que possamos dar lugar à palavra e ao poder de Deus.

3) A pedra separa e o pão une

A palavra de Deus é baseada em união – toda vez que Jesus pregava, havia uma grande multidão – e, por duas vezes, a multiplicação do pão foi literal e figurativa. Na mensagem pregada, o foco sempre foi a união dos irmãos, a necessidade de sermos um, o perdão, reconciliação, mudança de vida e família. A palavra de Deus gera vida – tudo que vai contra esta diretriz, não provem de Deus. Ele abomina tudo o que separa amigos, incita o mal e leva a pessoa por um caminho que não é bom, conforme está escrito em Provérbios 16:27-30.

Jesus perguntou, durante o sermão da montanha, “qual de vocês é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?” Considerando o proposto acima, pode-se dizer o seguinte: “qual de vocês irá servir algo humano quando se pode servir algo de Deus?”. Uma das principais diferenças que o cristianismo tem de outras religiões e estilos de vida é de que nós vivemos e pregamos a palavra de Deus, uma palavra que se renova, que é “viva e eficaz” (Hebreus 4:12).

Voltando para o questionamento feito por Jesus em Mateus 7:9, vemos muitos homens que tem dado pedra aos seus filhos, mesmo quando eles tem pedido pão. Hoje em dia, as mensagens “pedra” são tão bem elaboradas que vemos muitas pessoas sendo enganadas com uma palavra superficial e interesseira. Começa-se fazer evidente aquilo que Jesus disse em Mateus 24:24, que “os falsos profetas fariam sinais tão grandes que, se possível, até os escolhido de Deus seriam enganados”.

Temos ouvido muitas mensagens por aí que instigam ódio, medo, dúvidas e separação não apenas do mundo, mas entre as igrejas e os irmãos em Cristo – mensagens que distorcem a Bíblia ao bel-prazer dos oradores, que visam apenas manipular as pessoas, criando uma mentalidade de dependência humana e não de Cristo. Se há maior preocupação com doutrina, dinheiro ou número de membros do que compromisso com a palavra e com salvar almas, a mensagem pregada é pedra e não pão.

—–

Que Deus crie em nós através do Espírito Santo, a visão e o discernimento de um escolhido, que não se engana com os encantos e a beleza da pedra, mas opte sempre por se alimentar e dividir o verdadeiro pão (João 6:35).


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