Semeando Esperança


09/06/2011 – Arrependimento sem remorso
09/06/2011, 11:42 pm
Filed under: Semanal
A pergunta que motivou este texto é a seguinte: “Onde que começa a mudança de vida?” Alguns dizem que são as mudanças do nosso ambiente social, outros dizem que começa em uma tragédia ou algum acontecimento feliz. Acredito que tudo isso age apenas como estopim para mudança, mas não se trata do primeiro passo em si. O fogo para acender a vela da mudança é o arrependimento.
Em Atos 2:38 vemos a resposta de Pedro para esta pergunta e a confirmação de que o processo de mudança de vida: “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos (…)”. No momento em que há arrependimento sincero, começa a ocorrer a mudança. Seja a mudança de uma postura, comportamento ou atitude ou até uma mudança de local de moradia ou de hábitos de alimentação. A palavra arrependimento, na sua origem grega, significa “mudança de sentimento com penitência”. Ou seja, há uma mudança, mas ao mesmo tempo há um preço a ser pago. A pessoa que quer parar de fumar tem que abrir mão do vício, quem tem o colesterol alto, precisa abrir mão das frituras, da mesma forma, a pessoa que deseja caminha com Cristo, deve estar disposto a se “arrepender” do que costuma fazer e adquirir uma nova forma de agir e pensar, o modo de Jesus.
1) Arrependimento não é remorso
 
Este é o erro mais comum que costumamos cometer e, sem dúvida, é um assunto que já foi abordado por diversos ministérios e pregações. Coloquei algumas diferenças entre os dois:
– O remorso é o sentimento que corrói as entranhas, que nos faz ficar preso ao erro e ao passado. O arrependimento nos liberta do passado e nos faz ir adiante.
– O remorso nos faz perder o foco e abandonar os esforços de ser diferente, de ser melhor. O arrependimento nos inspira e dá esperança para seguirmos.
– O remorso nos faz mergulhar em culpa e autocomiseração, nos impede de olhar os outros e a nós mesmos nos olhos. O arrependimento nos tira o peso da falha e nos dá coragem para olhar nos olhos e pedir perdão.
– O remorso faz a pessoa se esconder, como Adão e Eva fizeram no jardim do Éden. O remorso faz a pessoa se jogar no mar, como fez Jonas. O arrependimento faz com que a pessoa se prostre na presença de Deus, como fez Davi. O arrependimento faz com que um homem que negou a Cristo por três vezes, se torne a pedra em que a Igreja foi fundada.
– O remorso vem do coração do homem e o arrependimento é gerado no coração de Deus.
 
2) Arrependimento traz cura
 
Muitas vezes não percebemos que uma atitude ou comportamento nosso é nocivo. Mas no momento que somos confrontados pela verdade, começamos a notar as consequências dos nossos atos. As feridas abertas que antes se escondiam atrás da ilusão de alegria, começam a ficar expostas. As marcas que deixamos em nós mesmos e nas pessoas ao nosso redor se tornam visíveis. A falta de credibilidade, a dificuldade de ser respeitado. Tudo isso começa a ficar evidente e a nossa tendência é esconder as feridas, como mencionei no último texto. Mas essa atitude que vem da vergonha e da culpa, não é proveniente do arrependimento. Quando há o arrependimento, a correção ocorre, as feridas são abertas e expostas, mas não queremos escondê-las por reconheceremos que a ação de Cristo é o que vai nos fazer mudar. O arrependimento traz a cura e apenas uma pessoa curada é capaz de mudar completamente.
 
3) No arrependimento, não há culpa
 
Se houve mudança de comportamento, mas ainda há recaídas ou vontade de se esconder, se a culpa o impede de andar de cabeça erguida e o seu passado é mais pesado do que a sua esperança do futuro, o arrependimento não ocorreu de fato. Quando ocorre o arrependimento, a culpa ela deixa de existir – quando se deixa para trás o seu antigo comportamento (o seu “velho eu”) e se adota uma postura nova, há a liberdade do peso. Como está escrito em João 8:32, “conhecereis a verdade e ela vos libertará”. Não se trata de ignorar o que aconteceu antes da mudança, muito pelo contrário. Assume-se as consequências do passado com a convicção de que, mesmo com conseqüências, não há condenação pelos atos. Somos justificados e, ao invés de nos escondermos do erro, lutamos para corrigí-lo, para que Deus transforme a maldição em benção.
 
Lembrando sempre do que está escrito em Lucas 15:7: “Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” Se deve ser “feito na terra, como é feito no céu”, quando há o arrependimento, deve haver alegria. Alegria porque o que estava perdido, se encontrou. O que estava morto, agora reviveu.

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