Semeando Esperança


17/03/2011 – Querer ou precisar
17/03/2011, 1:23 am
Filed under: Semanal

Tem sido tema recorrente nos últimos textos, mas creio que é porque tenho sido ministrado nesse aspecto de modo intenso nos últimos meses. A busca por Deus deve ser motivada essencialmente por vontade e não por necessidade. Sim, precisamos de Deus e sem Ele não há vida. Mas a motivação da nossa busca é que vai definir se Deus se tornará seu Pai e Amigo, além de Senhor e Mestre. Para este texto, decidi propor uma ilustração.

O início – Um rapaz realiza o sonho de abrir seu restaurante. Como todo negócio, nos primeiros meses, estava enfrentado alguns problemas e o caixa andava no vermelho. Para sair desta situação contrária, ele vai conversar com um amigo para pedir um empréstimo que logo seria pago.

Cenário 1 – O rapaz vai falar com este grande amigo, mas que por causa da falta de tempo do dia a dia, é alguém que não se tem mantido contato constante. Vêem-se mês sim, mês não. O amigo foi na inauguração do restaurante, mas desde então não visitou mais o restaurante. Aceitou o convite para o café e fica um pouco surpreso quando o rapaz diz que está com algumas dificuldades financeiras. Quando recebe o pedido de ajuda, não pestaneja em ajudar, mas há certo desconforto. O rapaz pega o cheque e fica com uma sensação constrangedora, o peso da dívida recém-adquirida já se torna evidente. Paga a conta e agradece a ajuda, já planejando como fará para pagar o mais rápido possível.

Cenário 2 – Trata-se do mesmo amigo, mas cultiva-se um contato diário, compartilhando o cotidiano, os planos e desejos. Inclusive, este amigo ajudou dando idéias e é um dos principais clientes do restaurante. Sempre leva os colegas de trabalho, família e se reúne com amigos por lá. Ele sabe da situação do empreendimento e, quando o rapaz o chama para tomar o fatídico café, ele já leva o cheque preparado para entregar. Sem estranheza, sem dúvidas. Antes de começarem a entrar nesse assunto, ele já entrega um envelope com o dinheiro – e o rapaz, sem constrangimento, agradece e ainda diz que o amigo deverá pagar a conta.

Nosso relacionamento com Deus segue nessa linha – quando nos aproximamos para receber algo apenas, há sempre a sensação mais pungente de distanciamento e dívida. Para evitar isso, Paulo nos dá três dicas na Bíblia:

1) Orai sem cessar (II Tessalonicenses 5:17)
Orar é conversar com Deus. Quanto mais conversamos com Ele, mais temos oportunidade de conhecê-Lo. E o tempo que usamos para conversar com alguém é o que nos traz intimidade e conforto ao apresentar o que precisamos também. E isso nos leva à segunda dica:

2) Em tudo, nossas petições devem ser conhecidas (Filipenses 4:6)
O diálogo frequente e o tempo despendido nas nossas orações é que fazem com que tudo que passa pela nossa vida – os momentos bons e os difíceis, as vitórias e as derrotas, a abundância e a necessidade – sejam conhecidos por Deus. Ele já sabe o que se passa, mas o fato de conversarmos com Deus nos dá a liberdade de entrarmos na presença de Deus (I Pedro 5:6) e aprendermos a aceitar o amor e a ação de Deus em nós. Mas além disso, há algo que excede o que sabemos.

3) Coisas que não sabes (Jeremias 33:3)
Além de termos nossa necessidade conhecida, nestes momentos de contato com Deus que passamos a conhecer melhor os planos e sonhos de Deus para nossas vidas. São nos momentos de proximidade com Deus, o buscando por quem Ele é e não pelo que Ele pode fazer por nós, que Ele nos revela aquilo “que não subiu ao coração do homem” (I Corintios 2:5).

Em ambos os cenários, o rapaz da ilustração conseguiu o que precisava, mas aquele que cultivava o “querer” (convívio com o amigo) não apenas recebeu a ajuda sem nem precisar pedir abertamente, mas soube receber a ajuda sem se sentir indigno ou um peso para o amigo que o ajudou. Desde o início, a vontade de Deus é a de estabelecer um relacionamento completo conosco, mas cabe a nós abrir a porta (Apocalipse 3:19) e convidá-lo a entrar. Caso contrário, Jesus será sempre visto como um credor (de olhos nos nossos erros para nos cobrar) e não como um parceiro (de olhos nos nossos erros para nos ajudar) para a vida.


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